Quando uma marca brasileira pede uma cotação de malharia, o número que chega primeiro é o preço FOB — o valor da peça posta no porto de embarque na Turquia, normalmente em dólares. Mas esse não é o custo que define a sua margem. O que importa de verdade é o custo final posto no Brasil: o que cada suéter custa, já em BRL (Real brasileiro, R$), dentro do seu depósito, pronto para etiquetar e vender. Entre um número e outro existem o frete internacional, o seguro, o Imposto de Importação, o ICMS, o PIS/COFINS e as despesas de desembaraço. Este guia mostra, passo a passo, como montar essa conta de forma honesta — sem inventar alíquotas e sempre deixando claro o que precisa ser confirmado com o seu despachante.

Costura rebatida em suéter de tricô — custo posto no Brasil de malha importada da Turquia
Do preço FOB ao custo posto: cada camada de frete, imposto e despesa muda a margem real da peça.

As camadas do custo: do FOB ao posto no Brasil

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Preço FOB (em USD)

É o ponto de partida: o valor da peça posta no porto de embarque na Turquia. No tricô, ele depende do fio, da gramagem, da galga, da mão de obra e do MOQ. No nosso caso, o MOQ é de 250 peças por cor/tamanho, em malha feita em 22 máquinas (15 Shima Seiki WHOLEGARMENT + 7 Stoll), Made in Turkey.

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Frete internacional + seguro (chega ao CIF)

Some o frete marítimo da Turquia até o Brasil e o seguro internacional. FOB + frete + seguro formam o valor CIF — a base sobre a qual a maioria dos tributos de importação é calculada. Por isso o CIF, e não o FOB, é o número que dispara os impostos.

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Tributos de importação

Sobre o CIF incidem o Imposto de Importação (II), o ICMS (estadual, varia por estado) e PIS/COFINS-Importação. As alíquotas dependem do NCM da peça e do seu estado — devem ser confirmadas com o despachante (aprox. / a confirmar para o seu caso).

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Despesas e câmbio

Por fim: despachante, taxa Siscomex, armazenagem, capatazia, transporte interno e a variação do câmbio USD/BRL. Tudo convertido em Real fecha o custo posto. É aqui que muitas marcas se enganam ao olhar só o FOB.

Sem acordo de livre comércio: o que isso significa

É preciso ser direto: não existe Acordo de Livre Comércio entre a Turquia e o Brasil. O Brasil aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, e a Turquia não é membro nem associada do bloco. Na prática, isso quer dizer que a malha turca entra no Brasil sob as mesmas regras tarifárias que a malha de outras origens fora do Mercosul.

1
Sem vantagem aduaneira frente à China. Na alfândega, há paridade: a Turquia não tem desconto tarifário sobre a China para entrar no Brasil. Quem promete "imposto menor por ser turco" está vendendo o que não existe.
2
A força está em outro lugar. O diferencial da Turquia não é o imposto — é qualidade, a estratégia China+1 (diversificar fora da concentração asiática), a proximidade relativa, o atendimento em português e capacidades como WHOLEGARMENT (tricô sem costuras laterais), difíceis de encontrar na escala da concorrência de baixo custo.
3
Alíquotas: confirme, não chute. O II e o ICMS dependem do NCM exato e do seu estado. Trate qualquer número deste guia como aproximado / a confirmar com o seu despachante aduaneiro antes de fechar a margem.

Porto, moeda e conformidade: os detalhes que entram na conta

Três variáveis brasileiras mudam o custo final e o prazo — e nenhuma delas aparece no preço FOB:

Porto e logística

  • O Porto de Santos (São Paulo) é a principal porta de entrada de contêineres no Brasil — referência natural para a malha turca.
  • Secundariamente, Itajaí / Navegantes (SC) atendem bem marcas do Sul.
  • Some armazenagem, capatazia e transporte interno até o seu depósito.

Moeda e conformidade

  • Tudo fecha em BRL (Real, R$): a variação USD/BRL entre o pedido e o desembaraço afeta a margem.
  • INMETRO / Conmetro (sob o MDIC) regulam a conformidade têxtil.
  • A Portaria INMETRO nº 118/2021 trata da etiquetagem obrigatória (fornecedor, composição, conservação) — peça que precisa estar correta antes da venda.

Vale lembrar o contexto do mercado: o Brasil é grande (~215 milhões de habitantes), a maior economia da América Latina, com uma indústria têxtil e de confecção doméstica forte e protegida. Por isso a malha importada não compete por ser "mais barata que a nacional" — ela entra como produto complementar, de capacidade ou acabamento que a marca não encontra localmente na escala ou no prazo que precisa.

Um roteiro prático para a sua planilha

Para transformar uma cotação FOB em custo posto confiável, monte a conta nesta ordem — e peça ao seu despachante os percentuais reais antes de definir preço de venda:

Esse roteiro evita a armadilha clássica: aprovar um pedido olhando só o FOB e descobrir, no desembaraço, que a margem era menor do que parecia. Quando você compara fornecedores pelo custo posto, e não pelo FOB, a conversa muda — e fica mais fácil enxergar onde a qualidade e a confiabilidade do parceiro turco pagam o seu valor. Para entender como se forma o lado de fábrica desse número, veja também o nosso guia de como se calcula o preço de um suéter e a página de capacidades de produção.

Quer um custo posto realista para a sua malha?

Enviamos cotações FOB transparentes e ajudamos a marca a entender o que somar até o custo posto no Brasil — sem inventar alíquotas e com toda a documentação para o desembaraço. Fábrica OEM própria em Gaziantep, MOQ de 250 peças, WHOLEGARMENT e tricô clássico, Made in Turkey.

Veja também: fabricante OEM de malha · tricô WHOLEGARMENT · marca própria / private label · página inicial · todos os artigos.

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