Se a sua marca vai importar malha e tricô da Turquia para o Brasil, há um personagem central no processo: o despachante aduaneiro. Ele é o profissional habilitado pela Receita Federal que conduz o despacho de importação em seu nome — registro da declaração, conferência documental e liberação da carga. Mas o despachante não trabalha no vácuo: depende de uma boa gestão da importação, de uma habilitação RADAR ativa e de documentos corretos vindos do fabricante. Como produzimos para marcas que importam o nosso tricô há anos, montamos este guia prático sobre como organizar essa cadeia — do embarque em Mersin até a liberação no Porto de Santos.

Malha jacquard pronta para exportação da Turquia ao Brasil — gestão aduaneira
Produção de tricô pronta para embarque: documentação correta na origem evita atrasos no desembaraço brasileiro

Antes de mais nada, um ponto honesto sobre custos. Não existe Acordo de Livre Comércio entre a Turquia e o Brasil. O Brasil aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, e a Turquia não é membro nem associada. Na prática, isso significa que, no imposto de importação, a malha turca não tem vantagem aduaneira face à China — há paridade tarifária. A nossa força não está em ser a opção mais barata na alfândega, mas na qualidade do flat-knit, na estratégia China+1, na proximidade de fuso e comunicação, no atendimento em português e na nossa especialização em WHOLEGARMENT. Por isso, planejar bem o lado aduaneiro é o que protege a sua margem.

Quem é quem na importação: papéis e responsabilidades

01

O importador (a sua marca)

É a empresa brasileira titular da operação, responsável legal perante a Receita Federal. Precisa de habilitação RADAR (modalidade Expressa, Limitada ou Ilimitada, conforme o volume financeiro) para operar no Siscomex. Sem RADAR ativo, nenhuma declaração de importação é registrada.

02

O despachante aduaneiro

Profissional habilitado que atua por mandato (procuração) do importador. Ele registra a declaração no Siscomex, classifica a mercadoria, acompanha o canal de conferência (verde, amarelo, vermelho ou cinza) e responde às exigências da fiscalização até a liberação da carga.

03

O agente de carga / transitário

Cuida da logística internacional: reserva de praça (booking), coordenação com o armador, emissão do BL (Bill of Lading) e movimentação até o porto de destino. Trabalha em paralelo com o despachante, mas são funções distintas.

04

O fabricante (Kiwi Giyim)

Na origem, emitimos a fatura comercial (commercial invoice), o packing list, e indicamos a composição exata das fibras e a origem Made in Turkey. Documentos corretos e consistentes na origem são o que evita divergências e canal vermelho no Brasil.

O fluxo do despacho de importação, passo a passo

Da fábrica em Gaziantep ao seu armazém no Brasil, o caminho aduaneiro segue uma sequência previsível. O despachante conduz as etapas no Brasil; nós garantimos a base documental na Turquia. Veja como se encaixam:

1
Habilitação prévia (RADAR) — antes do primeiro embarque, a sua empresa precisa estar habilitada no Siscomex. Recomendamos resolver isso bem antes da chegada da carga, pois a habilitação pode levar dias úteis e há análise de capacidade financeira.
2
Embarque e documentos de origem — emitimos a fatura comercial, o packing list e o BL é gerado pelo transitário. Conferimos com você a classificação fiscal (NCM) pretendida e a descrição da mercadoria, para que tudo bata com a declaração brasileira.
3
Chegada ao porto e registro da declaração — com a carga atracada no Porto de Santos (principal porta de entrada de contêineres do Brasil; alternativamente Itajaí/Navegantes em Santa Catarina), o despachante registra a DI ou a DUIMP no Siscomex e recolhe os tributos.
4
Parametrização (canal) e conferência — o sistema atribui um canal. Verde = liberação automática; amarelo = conferência documental; vermelho = documental + física; cinza = análise de valor. Documentos consistentes na origem reduzem o risco de canais mais rigorosos.
5
Desembaraço e entrega — após a liberação, emite-se a documentação de saída do recinto alfandegado e a carga segue para o seu armazém. A partir daí, a malha está nacionalizada e pronta para etiquetagem e distribuição.

Tributos, DI/DUIMP e conformidade INMETRO

No despacho de malha, alguns pontos merecem atenção especial — e o seu despachante e contador são os melhores interlocutores para os valores exatos do seu caso:

Lado fiscal e aduaneiro

  • Imposto de Importação (II) conforme a TEC do Mercosul para o NCM da malha — sem acordo Turquia–Brasil, alíquota cheia (aprox., a confirmar pela classificação exata)
  • IPI, PIS-Importação, COFINS-Importação e ICMS estadual no desembaraço
  • Migração gradual da DI para a DUIMP (Declaração Única de Importação) no Novo Processo de Importação
  • Pagamento em BRL (Real, R$); o contrato de câmbio fecha o valor em moeda forte na origem

Conformidade do produto

  • INMETRO / Conmetro (sob o MDIC) regulam a conformidade têxtil no Brasil
  • Portaria INMETRO nº 118/2021 — etiquetagem obrigatória (fornecedor, composição de fibras, cuidados de conservação, origem)
  • Indicação clara de origem Made in Turkey na peça e na documentação
  • Composição exata das fibras fornecida por nós, para a sua etiqueta legal em português

O mercado brasileiro é grande (cerca de 215 milhões de habitantes, a maior economia da América Latina) e tem uma indústria têxtil e de confecção doméstica forte e protegida. Por isso, o posicionamento da malha importada costuma ser de complemento premium — flat-knit técnico, WHOLEGARMENT sem costuras, marca própria de qualidade — e não de simples substituição do produto local pelo preço.

O que pedir ao despachante e ao fabricante

Uma checklist curta evita 90% dos atrasos. Ao despachante, confirme a habilitação RADAR ativa, a classificação NCM correta e a simulação de tributos antes do embarque. Ao fabricante, cobre documentos limpos e consistentes — é exatamente o que entregamos de forma padronizada.

Do nosso lado, como fábrica OEM em Gaziantep, trabalhamos com MOQ a partir de 250 peças por cor/tamanho e operamos 22 máquinas (15 Shima Seiki WHOLEGARMENT + 7 Stoll), com origem Made in Turkey documentada. Fornecemos fatura comercial, packing list, composição de fibras e indicação de origem de forma consistente, para que o seu despachante registre a declaração sem divergências. Para entender as nossas capacidades de produção, veja a página de capacidades; para o nosso modelo de produção sob marca própria, a produção private label; e para o tricô sem costuras, o fabricante WHOLEGARMENT.

Se quiser entender melhor por que escolher a Turquia em vez de comprar tudo da China — com a paridade tarifária assumida de forma transparente —, leia a nossa comparação Turquia vs China. E para outros guias de importação e produção voltados ao mercado brasileiro, explore o nosso blog.

Vai estruturar a importação da sua malha turca?

Como fabricante OEM de tricô, já embarcamos para marcas brasileiras e conhecemos a documentação que o seu despachante precisa. Envie o seu briefing de produto e organizamos a parte de origem com você.

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