A demanda por moda mais responsável também chegou ao Brasil. Marcas de varejo, e-commerce e marca própria têm procurado fios reciclados para diferenciar coleções e responder a consumidores que pedem transparência. Mas "reciclado" virou um termo solto: sem certificação, qualquer fornecedor pode afirmar que um fio é sustentável sem comprovar nada. É exatamente esse vácuo que o GRS — Global Recycled Standard preenche. Ele é hoje o selo mais reconhecido para conteúdo reciclado em têxteis, e funciona como prova auditável de que o fio reciclado é realmente o que diz ser. Este guia explica o que é o GRS, como a rastreabilidade funciona na cadeia da malha e o que você deve exigir do fabricante antes de fechar uma coleção sustentável.

Malha produzida com fios reciclados certificados GRS para marcas brasileiras
Coleção de tricô em fio reciclado: a certificação GRS comprova o conteúdo reciclado e a cadeia de custódia, da matéria-prima à peça acabada.

O que é o GRS e por que ele importa

O Global Recycled Standard é uma norma internacional, administrada pela Textile Exchange, que certifica o conteúdo reciclado de um produto e acompanha esse conteúdo por toda a cadeia produtiva.

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Conteúdo reciclado verificado

Para receber o selo GRS completo, um produto precisa conter no mínimo 50% de material reciclado (a partir de 20% ele pode ser declarado, mas sem direito ao logotipo no produto). O percentual exato é auditado, não apenas declarado pelo fornecedor.

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Cadeia de custódia

Cada elo — reciclador, fiação, malharia, confecção — precisa ser certificado e emitir documentos de transação. Isso garante que o fio reciclado que entrou na fábrica é o mesmo que saiu na peça, sem "diluição" ao longo do caminho.

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Critérios sociais e ambientais

O GRS vai além do conteúdo reciclado: inclui requisitos de processamento químico (restrições a substâncias perigosas), condições de trabalho e gestão ambiental nas unidades certificadas. Não é só uma conta de percentual.

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Credibilidade para a marca

Para uma marca brasileira, o GRS é uma resposta concreta a alegações de "greenwashing". Em vez de "fio ecológico" sem prova, você passa a ter um certificado auditado por terceira parte — útil para marketing honesto e para clientes corporativos exigentes.

Como o fio reciclado chega até a sua peça

Há dois grandes caminhos de reciclagem têxtil, e eles se comportam de formas diferentes na malha. Entender isso evita expectativas erradas sobre toque, cor e custo.

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Poliéster reciclado (rPET) — geralmente vem de garrafas PET pós-consumo, transformadas em flocos, depois em chips e novamente em filamento. É o fio reciclado mais maduro e disponível, com boa consistência. Funciona bem em malhas técnicas, mescladas e em misturas com fibras naturais.
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Algodão reciclado — vem de retalhos de corte (pré-consumo) ou de peças pós-consumo, desfiados mecanicamente. Como o processo encurta a fibra, o algodão reciclado costuma ser misturado com algodão virgem ou poliéster para garantir resistência. O resultado é ótimo para tricô casual, mas é normal um percentual reciclado menor que 100%.
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Documentos de transação (TC) — a cada etapa certificada, emite-se um Transaction Certificate. É esse rastro de papel que comprova, em auditoria, o percentual reciclado real da sua peça. Sem os TCs, não há reivindicação GRS válida — apenas uma promessa verbal.
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Impacto no custo e no MOQ — fios certificados costumam ter preço acima do convencional e podem exigir lotes mínimos de produção um pouco maiores por cor. Vale alinhar isso cedo no briefing, junto do nosso MOQ de 250 peças por cor e tamanho.

Sustentabilidade e o contexto de importação Turquia–Brasil

É importante separar duas coisas: certificação ambiental e regime aduaneiro. Uma não muda a outra.

Não existe Acordo de Livre Comércio entre a Turquia e o Brasil. O Brasil aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, e a Turquia não é membro nem associada do bloco. Na prática, isso significa que não há vantagem aduaneira da malha turca frente à malha chinesa — há paridade tarifária. Usar fio GRS não altera o enquadramento na importação: a alíquota de Imposto de Importação segue a NCM do produto, independentemente do conteúdo reciclado. Qualquer percentual exato deve ser confirmado com o seu despachante (a confirmar conforme a NCM e a operação).

Se não é o custo de entrada que diferencia a Turquia, o que diferencia é o conjunto de fatores que sustenta uma estratégia China+1: qualidade de malharia, proximidade relativa em prazo de reposição, comunicação ágil e capacidade técnica para programas certificados. A logística para o Brasil continua a mesma de qualquer importação têxtil — o Porto de Santos (SP) é a principal entrada de contêineres, com Itajaí/Navegantes (SC) como alternativa secundária. O valor a documentar, em Reais (BRL, R$), considera produto, frete e seguro; a certificação GRS agrega valor de marca, não desconto fiscal.

O que exigir do fabricante e como a Kiwi trabalha

Para uma coleção GRS sair sem surpresas, alinhe estes pontos antes da produção:

Checklist para o seu briefing

  • Tipo de fio reciclado (rPET, algodão reciclado ou mistura)
  • Percentual reciclado-alvo e se você quer o selo GRS na peça
  • Necessidade de Transaction Certificates por embarque
  • Cores e MOQ por cor e tamanho (mínimos de fio certificado)
  • Etiquetagem em português conforme as regras do INMETRO

Como produzimos

  • Malharia OEM e marca própria, Made in Turkey, em Gaziantep
  • 22 máquinas: 15 Shima Seiki WHOLEGARMENT + 7 Stoll (flat-knit)
  • Sourcing de fios reciclados certificados via fiações parceiras (GRS quando especificado)
  • Documentação de composição e origem para a etiquetagem brasileira
  • MOQ de 250 peças por cor e tamanho, com desenvolvimento de amostra

Uma observação honesta: a Kiwi não emite o certificado GRS — quem certifica é um organismo acreditado independente, e o selo acompanha a cadeia de fiações e unidades certificadas. O nosso papel é especificar fios reciclados certificados, manter a rastreabilidade dos documentos de transação e entregar a peça com a composição correta. Quando o seu programa exige o conteúdo reciclado validado, montamos a coleção em cima de fornecedores de fio com a certificação válida.

Saiba mais

Explore as capacidades e o modelo de produção por trás de uma coleção de malha sustentável:

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Conte com a gente desde o briefing: definimos o fio reciclado certificado, o percentual-alvo, o MOQ por cor e tamanho e a documentação para o mercado brasileiro. Envie o seu projeto.

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