A trança é o ligamento mais icônico do tricô — e um dos mais difíceis de produzir bem. Entenda como os cabos são construídos, quanto custam a mais e o que verificar num fabricante de malha.
A trança — ou cabo, do inglês cable — é o ligamento que mais comunica artesanato no tricô. Aquele relevo entrelaçado que percorre a frente de um suéter aran, os torcidos verticais de um cardigã de inverno, as cordas que enquadram um gola alta: tudo isso é construção trançada. Para o consumidor, a trança é sinônimo de peça "de verdade", encorpada, com identidade. Para a marca, é uma das decisões de produto que mais valoriza a coleção — e, ao mesmo tempo, uma das que mais exige do fabricante. Este guia explica como a malha trançada é construída, quanto ela pesa no custo e o que uma marca brasileira deve verificar antes de fechar produção de cabos com um fabricante OEM de tricô.
A trança não é um desenho impresso nem um bordado — é um cruzamento estrutural de pontos. Entender isso é o primeiro passo para briefar bem uma coleção de cabos:
Uma trança se forma quando um grupo de pontos passa por cima (ou por baixo) de outro grupo, criando o relevo torcido. Na máquina, isso exige um movimento mecânico de transferência de agulhas — os pontos são deslocados lateralmente e recolocados em ordem trocada. É um processo mais lento que a meia-malha lisa, porque cada cruzamento é uma operação adicional.
Há uma família inteira de cabos: o cabo simples (duas colunas que se torcem), a trança de seis ou oito pontos, os losangos (diamantes), o ponto arroz que preenche os fundos e o clássico padrão aran que combina vários desses motivos numa só peça. Quanto mais motivos e quanto mais cruzamentos, mais rica — e mais cara — fica a malha.
A trança "puxa" a malha: o relevo consome mais fio por área e torna a peça mais densa e mais pesada que um jersey equivalente. Isso impacta diretamente a gramatura final, o toque e o custo de matéria-prima. Uma peça muito trançada pode consumir bem mais fio do que a mesma silhueta em meia-malha lisa.
Por ser estrutural, a trança é durável e tridimensional — não desbota nem descasca como uma estampa. Mas também impõe limites: tranças muito complexas exigem máquinas com transferência de pontos e programação dedicada, o que nem todo fabricante domina com qualidade consistente.
Um cabo bonito numa amostra pode virar um cabo deformado em produção se a galga, o fio e a tensão não estiverem corretos. Estes são os parâmetros que mais importam:
A trança é, antes de tudo, uma questão de máquina e de programação. É aqui que a estrutura de um fabricante faz diferença real no resultado:
No tricô plano (flat-knit), os painéis trançados — frente, costas e mangas — são tricotados com transferência de pontos para criar os cruzamentos, e depois unidos. Numa peça premium, essa união é feita por linking ponto a ponto: cada malha é ligada individualmente, gerando costuras planas, elásticas e que não desfiam, sem interromper o desenho do cabo nas junções. É mais lento e mais caro que o overlock, mas é o que mantém a integridade visual da trança ao longo da peça.
Há ainda um nível em que praticamente não existem costuras: a tecnologia WHOLEGARMENT (tricô integral), em que a peça inteira — corpo, mangas e golas — sai pronta da máquina, em 3D, num único processo. Aplicada a cabos, ela entrega um suéter trançado sem costuras laterais nem nos ombros, com o relevo contínuo e um caimento que o consumidor associa imediatamente ao luxo.
Na Kiwi Giyim, esse é o coração da operação: das 22 máquinas do parque, 15 são máquinas Shima Seiki WHOLEGARMENT, complementadas por 7 máquinas Stoll para tricô plano convencional. Isso permite escolher a técnica certa para cada motivo de trança da coleção — do cardigã aran encorpado ao gola alta de cabos finos sem costuras — sempre com produção Made in Turkey.
A malha trançada custa mais que a malha lisa — por dois motivos somados: mais fio por peça e mais tempo de máquina por causa dos cruzamentos. Um fluxo OEM saudável deixa isso claro desde o início:
Sobre o custo aduaneiro: a Turquia não tem acordo de livre comércio com o Brasil — o Brasil aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul e a Turquia não é membro nem associada. Na prática, em termos de imposto de importação, sourcing na Turquia não traz vantagem tarifária sobre a China (as alíquotas aplicáveis devem ser confirmadas caso a caso com seu despachante, aprox./a confirmar). Nossa vantagem está noutro lugar: na qualidade da construção do cabo, na lógica China+1 de diversificação de risco, no atendimento em português e na expertise em WHOLEGARMENT — com entrada pelo Porto de Santos (São Paulo), principal hub de contêineres do país. A conformidade têxtil segue a regulação do INMETRO/Conmetro, com etiquetagem obrigatória conforme a Portaria INMETRO nº 118/2021.
Trabalhamos com marcas brasileiras desde a referência do cabo até a peça pronta, em tricô plano e WHOLEGARMENT. Fale conosco com a sua referência de trança e o briefing da coleção.
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