Quando uma marca brasileira pede um "suéter com estampa" ao fabricante, o que ela quer na verdade costuma ser uma de três técnicas bem diferentes: jacquard, intarsia ou tranças (cabos). Não são estilos intercambiáveis — cada uma usa um princípio de tricotagem próprio, tem um custo distinto, exige máquinas e tempos diferentes e gera um caimento próprio na peça. Este guia explica cada técnica em linguagem de produção, para que a sua equipe de produto especifique com precisão e receba exatamente o que imaginou. Tudo o que descrevemos abaixo é produzido em nossas 22 máquinas em Gaziantep, Turquia (15 Shima Seiki WHOLEGARMENT + 7 Stoll), com MOQ a partir de 250 peças por cor/tamanho.

Detalhe de ponto intarsia em malha — blocos de cor sem fios flutuantes no avesso
Intarsia: blocos de cor sólidos e nítidos, sem fios flutuantes no avesso — ideal para grafismos grandes e logotipos

Jacquard: padrões repetidos com múltiplas cores

O jacquard cria um desenho colorido tricotando duas ou mais cores na mesma carreira. A cor que não aparece na frente fica "flutuando" no avesso da peça (os chamados fios flutuantes, ou floats). É a técnica clássica de padrões geométricos, fair isle, motivos nórdicos e estampas que se repetem ao longo de toda a peça.

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Como funciona

Cada carreira trabalha com 2 a 4 cores simultâneas. Onde uma cor não aparece, o fio passa por trás. Em desenhos densos, esses fios flutuantes podem ser presos com a técnica de tucking para não engatarem no uso.

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Jacquard simples vs. duplo

No jacquard simples (single), os flutuantes ficam à vista no avesso. No jacquard duplo (birdseye ou tubular), uma segunda camada esconde os flutuantes — avesso mais limpo, peça mais pesada e mais cara em fio.

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Quando usar

Ideal para padrões que se repetem: fair isle, listras com motivo, micro-padrões. É a opção mais eficiente para desenho colorido em produção média e grande, com bom equilíbrio entre custo e efeito visual.

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Limites

Não é a melhor escolha para blocos de cor muito grandes — os flutuantes longos ficam frouxos e desconfortáveis. Para uma única letra ou um logotipo grande e sólido, o intarsia entrega resultado melhor.

Intarsia: blocos de cor sem fios flutuantes

No intarsia, cada área de cor tem o seu próprio carretel de fio. Não há flutuantes no avesso: a cor existe apenas onde aparece na frente. O resultado é um avesso limpo, uma peça mais leve e blocos de cor grandes e nítidos. É a técnica certa para grafismos amplos, logotipos, argyle (losangos) e desenhos figurativos.

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Um carretel por bloco de cor — quanto mais cores e mais "ilhas" de cor no desenho, mais carretéis a máquina gerencia em cada carreira. Isso aumenta o tempo de tricotagem e, portanto, o custo unitário.
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Avesso limpo, peça leve — sem flutuantes, o intarsia evita o peso extra e o desconforto do jacquard em desenhos grandes. Por isso é preferido em peças de alto padrão e em logotipos de marca.
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Mais artesanal, mais caro — o intarsia é a mais trabalhosa das três técnicas e costuma exigir mais ajuste de máquina e supervisão. Vale a pena quando o desenho é o protagonista da peça, e não um padrão de fundo.

Regra prática para a sua especificação: padrão que se repete e usa cores em toda a peça → jacquard. Bloco grande, logotipo ou desenho figurativo com avesso limpo → intarsia. Muitas vezes a melhor peça combina as duas técnicas.

Tranças (cabos): textura em relevo, sem cor extra

As tranças — ou cabos (cable knit) — não criam desenho por cor, e sim por textura. Os pontos são cruzados uns sobre os outros com uma agulha auxiliar (manual) ou pelo transfer de pontos (nas máquinas Shima e Stoll), formando o relevo torcido característico do suéter de pescador, do tricô aran e das peças de inverno mais estruturadas.

Como o efeito vem do cruzamento dos pontos e não de cores adicionais, a trança é normalmente feita em uma única cor. Mas tem implicações próprias de produção:

Para o mercado brasileiro, as tranças funcionam muito bem em peças de outono/inverno do Sul e Sudeste e em cápsulas de "inverno europeu" para viagem — leia mais sobre clima e sazonalidade no nosso blog.

Custo, MOQ e o que isso significa para a sua marca

Em ordem crescente de custo e tempo de tricotagem, a regra geral é: malha lisa < tranças < jacquard < intarsia. Mas a comparação real depende do número de cores, do tamanho do desenho e da galga. Alguns pontos que costumamos alinhar com a marca antes de cotar:

O que pedimos no brief

  • Imagem ou desenho técnico do padrão pretendido
  • Número de cores e tamanho dos blocos de cor
  • Galga (gg) e título do fio desejados
  • Composição do fio (lã, algodão, mistura, caxemira)
  • Posicionamento do desenho na peça (all-over, peito, manga)

O que confirmamos na proposta

  • Técnica recomendada (jacquard, intarsia, tranças ou combinação)
  • MOQ a partir de 250 peças por cor/tamanho
  • Preço-alvo e impacto de cada técnica no custo (a confirmar na amostra)
  • Amostra/protótipo antes da produção em série
  • Made in Turkey, com etiquetagem conforme a Portaria INMETRO nº 118/2021

Vale lembrar o enquadramento comercial honesto para o Brasil: não existe Acordo de Livre Comércio entre a Turquia e o Brasil, e o país aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. Ou seja, não há vantagem aduaneira da Turquia face à China — há paridade tarifária (alíquotas a confirmar com o seu despachante na importação). A nossa força não está no imposto, e sim em qualidade de execução, estratégia China+1, proximidade e comunicação direta em português, além da capacidade WHOLEGARMENT (peça inteira sem costuras). A entrada principal de contêineres segue pelo Porto de Santos (SP), com Itajaí/Navegantes (SC) como alternativa; valores cotados em BRL (R$) quando aplicável.

Onde aprofundar

Se a sua marca está montando uma coleção com desenho ou textura, vale conhecer o nosso fluxo OEM e as capacidades de máquina:

Tem um desenho em mente para a sua próxima coleção?

Envie a referência visual e o tech pack. Indicamos a técnica certa — jacquard, intarsia, tranças ou combinação — e tricotamos uma amostra antes de fechar a produção.

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