Antes de fechar uma encomenda na Turquia, vale a pena conhecer todos os componentes que separam o preço de fábrica do custo real no seu armazém em Maputo, Beira ou Nacala. Aqui está a estrutura completa.
Quando um importador moçambicano recebe uma cotação de um fabricante de malha na Turquia, o número que aparece é quase sempre o preço FOB (Free On Board) — ou seja, a mercadoria colocada a bordo no porto de origem. Mas esse não é o custo que vai chegar ao seu armazém. Entre o FOB e o custo final desembarcado (o chamado landed cost) existem várias camadas: frete marítimo, seguro, direitos aduaneiros, IVA, taxas portuárias e o câmbio do metical (MZN). Calcular isto com rigor é o que separa uma margem saudável de uma surpresa desagradável. Vamos por partes.
É o ponto de partida: o preço por peça com a mercadoria a bordo no porto turco (geralmente Mersin ou Esmirna). Inclui o produto, a embalagem e o transporte interno até ao porto. No nosso caso, o FOB reflecte a produção em malha plana com MOQ a partir de 250 peças por cor/tamanho.
O frete da Turquia para Moçambique (Maputo, Beira ou Nacala) e o seguro de transporte transformam o FOB em valor CIF (Cost, Insurance and Freight). Este valor CIF é normalmente a base sobre a qual a alfândega calcula os direitos. O custo de frete varia com o volume, a rota e a época — peça sempre uma cotação actual ao seu transitário.
Aqui é essencial ser honesto: não existe Acordo de Comércio Livre (ACL) em vigor entre a Turquia e Moçambique. A malha turca entra, portanto, pela pauta normal aplicável (taxa de Nação Mais Favorecida da OMC), tal como a mercadoria chinesa. A taxa exacta de direitos depende da posição pautal (HS 61) e deve ser confirmada com a Autoridade Tributária / Serviço das Alfândegas — trate qualquer percentagem como aproximada e a confirmar.
Sobre o valor CIF acrescido dos direitos incide ainda o IVA na importação e eventuais taxas portuárias, de manuseamento e despacho. Some também os honorários do despachante e o transporte interno do porto até ao seu armazém. Só depois de tudo isto convertido para MZN é que tem o custo real por peça.
A cotação de fábrica vem em divisa forte (USD ou EUR). O seu custo, a sua margem e o preço de venda estão em metical (MZN). A taxa de câmbio entre a moeda da fatura e o MZN no momento do pagamento pode mudar tudo. Eis como geri-la:
Sem ACL, em direitos aduaneiros a malha turca e a chinesa entram em Moçambique em paridade — não há vantagem alfandegária turca. A China continua a ser um dos principais fornecedores de vestuário de malha. Então porquê a Turquia? A força está noutro lado:
Para chegar ao custo final por peça em metical, some, por esta ordem, e converta no fim:
Com este número, e não com o FOB, é que se define o preço de venda e a margem. Para regras técnicas (composição, etiquetagem, normas) o ponto de contacto é o INNOQ (Instituto Nacional de Normalização e Qualidade); para direitos e IVA, a Autoridade Tributária — Serviço das Alfândegas. Confirme sempre as taxas em vigor: aqui falamos de estrutura de custo, não de percentagens fixas.
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Trabalhamos com marcas e importadores lusófonos e damos-lhe a cotação FOB clara para que possa montar o seu custo final em metical. Fale connosco com o seu brief de produto. Made in Turkey, MOQ a partir de 250 peças, 22 máquinas (15 Shima WHOLEGARMENT + 7 Stoll).