Quem chega tarde à estação perde margem duas vezes — em rotura no arranque e em saldo no fim. Construir o calendário ao contrário, a partir da data de entrada em loja, é o que separa uma coleção rentável de uma cheia de stress de última hora.
O setor da malha trabalha em duas grandes estações: Outono-Inverno (OI) e Primavera-Verão (PV). Para uma marca portuguesa, o desafio raramente é escolher o produto — é o timing. A camisola de lã que entra na loja em novembro já perdeu metade da época; a peça de transição que chega em abril perde a janela do Sul e da meia-estação. Um calendário de produção bem feito não se constrói a partir de «quando conseguimos produzir», mas sim ao contrário: parte-se da data em que a peça tem de estar disponível para venda e recua-se, somando trânsito, produção, aprovação de amostras e desenvolvimento. É essa disciplina de recuar no calendário que evita ao mesmo tempo a rotura no arranque da estação e o stock parado a ir para saldo.
OI e PV não são blocos simétricos de seis meses. Em Portugal, com o seu clima entre o atlântico do Norte e o mediterrânico do Algarve, cada estação tem janelas de entrada e de venda próprias que condicionam o calendário de produção.
Perceber estas janelas é o ponto de partida: sem a data de loja definida, qualquer calendário de produção é um palpite.
A regra de ouro é simples: fixe a data de entrada em loja e some, de trás para a frente, todas as etapas necessárias. Só assim se descobre a tempo qual o «último dia possível» para aprovar amostras ou lançar a produção.
Na prática, para ter uma coleção de OI em loja em agosto/setembro, o desenvolvimento de amostras deve arrancar ainda no inverno anterior. Para a PV em loja em fevereiro/março, o trabalho começa no verão. Recuar no calendário não é pessimismo — é o que dá folga para reagir a um pico de procura ou a uma reposição inesperada.
Um calendário só é fiável se o parceiro de produção conseguir alternar entre estruturas leves e pesadas sem trocar de fornecedor a meio do ano — e se o trânsito for curto o suficiente para deixar margem.
A produção em Gaziantep, na Turquia, com expedição marítima para o porto de Leixões (Porto/Matosinhos) — o mais próximo do polo têxtil do Vale do Ave, de Guimarães e de Barcelos — ou para Lisboa, encurta o ciclo face a fornecedores asiáticos. Essa proximidade traduz-se em semanas a menos de trânsito, o que num calendário sazonal apertado pode ser a diferença entre chegar a tempo do pico de outubro ou perder o arranque da estação.
Do lado do parque de máquinas, operamos 22 máquinas (15 Shima Seiki WHOLEGARMENT + 7 Stoll), o que permite cobrir todo o espectro sazonal a partir de um único parceiro: malha pesada de lã e golas altas para o pico de OI, malha fina de algodão e peças de transição para a PV, e básicos contínuos para reposições e e-commerce. Toda a produção é Made in Turkey, em regime OEM/marca própria. Conseguir produzir as duas estações na mesma casa simplifica o calendário, reduz interlocutores e mantém a consistência de qualidade entre coleções.
Planeamento sazonal e custo aduaneiro estão ligados: quanto mais previsível e barato for o desembaraço, mais cedo e com mais confiança se pode comprometer stock para uma estação.
Portugal, enquanto Estado-Membro da UE, está plenamente coberto pela União Aduaneira UE-Turquia, em vigor desde 1996 (Decisão 1/95). Para os produtos industriais — incluindo malha e vestuário de malha — a importação a partir da Turquia, acompanhada do certificado de circulação A.TR, beneficia de direitos aduaneiros a 0%, contra os cerca de ~12% aplicáveis a origem China (valores aproximados, a confirmar com o despachante e a pauta em vigor à data da importação). Num calendário de coleção, em que cada ponto percentual de custo pesa na decisão de quantidade e de timing, esta diferença é estrutural — e está documentada, não é uma promessa vaga.
Importa enquadrar tudo no quadro regulamentar europeu que já conhece: REACH (restrições químicas) e o GPSR — Regulamento Geral de Segurança dos Produtos (UE) 2023/988, aplicável aos produtos colocados no mercado da UE. A faturação e os termos comerciais são em EUR (euro), sem risco cambial entre Portugal e o fornecedor — mais uma variável a menos para descontar no planeamento. Num setor onde Portugal é uma potência têxtil europeia, com milhares de empresas e exportações na ordem dos milhares de milhões de euros, ter o calendário de produção bem amarrado é o que permite competir em velocidade e em margem.
Quer construir o calendário de produção da sua próxima coleção de malha — OI ou PV — com a antecedência certa? Veja as nossas capacidades de produção, conheça a abordagem OEM e de marca própria, explore a tecnologia WHOLEGARMENT, compare Turquia vs. China, leia mais no nosso blog ou fale connosco com o seu briefing.
Recuar das datas de loja, alinhar amostras, produção e trânsito, e aproveitar a vantagem aduaneira A.TR: ajudamos marcas portuguesas a ter a malha certa na janela certa, sem rotura nem saldo.